Saber quanto vale a sua empresa é fundamental para atrair novos investimentos.

No momento de expandir os negócios e atrair investimentos externos, os gestores se deparam com a dúvida: “quanto vale a minha empresa?”. Saber o quanto vale o seu negócio é muito importante para reconhecer se o valor que o investidor oferece pelo seu empreendimento é justo, para negociar a participação societária de novos investidores ou para entender o valor de investimento em suas ações, caso a empresa vá abrir capital. Além disso, o valor da empresa é definidor para realizar o balanço patrimonial e projetar as ações futuras da empresa. E, antes de começar a fazer cálculos, o primeiro passo é entender o conceito de Valuation.

Valuation – o conceito

O conceito de Valuation resume-se em um processo de arbitragem do valor de uma empresa, usando um modelo quantitativo, porém levando em consideração questões subjetivas. Vale ressaltar que não se trata de um cálculo exato e sim, da percepção que o mercado tem da sua empresa. Essa percepção advém de diversos fatores intangíveis que são levados em consideração, como por exemplo, o capital intelectual da empresa, o reconhecimento da marca pelos consumidores, o grau de maturidade da gestão e governança, o setor econômico e o tamanho do mercado em que a empresa atua; além de outros fatores tangíveis, como fluxo de caixa, balanço patrimonial e custo de capital.

Como calcular o valor de uma empresa

O Valuation de determinado ativo empresarial deve ser encarado como uma referência e não como algo totalmente preciso, exato e indiscutível. O valor será sempre alvo de ajustes, dependendo do ângulo de quem o está analisando. Existem vários métodos para se calcular o valor de uma empresa. Por se tratar de percepção, foi necessário o desenvolvimento de distintas metodologias para se atender às diversas circunstâncias, estágios e momentos que podem envolver os negócios sob análise.

A forma mais comum de calcular o valor de uma empresa é pelo método do Fluxo de Caixa Descontado, onde se estima, no presente, os resultados financeiros dos fluxos de caixa futuros. O valor de determinada empresa, portanto, constitui-se da sua capacidade de geração de caixa livre futuro ao longo dos anos, trazidos a valor presente, pelo desconto sob alguma taxa a ser arbitrada.

Isso significa que a marca, as patentes, os ativos e a credibilidade da empresa somente são valorizados se puderem ser materializados em lucros futuros. Trata-se da tentativa de se converter conceitos intangíveis em premissas tangíveis, para se tentar demonstrar a percepção de valor por quem realiza a análise naquele determinado momento. Soma-se a essa análise os fatores de credibilidade e reconhecimento que mencionamos anteriormente. É aqui que entra a subjetividade da questão, em que o empreendedor deve defender os aspectos de seu negócio.

O racional do cálculo do Valuation é fazer a previsão do EBTIDA (Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization) e lucro líquido para os exercícios vindouros. Deve-se pensar em todas as receitas que podem ser geradas (vendas, serviços novos) e todos os gastos fixos e variáveis (funcionários, consultoria, impostos, patrocínio, infraestrutura, custos trabalhistas). A partir disso, é feita a reinserção da amortização/depreciação e desconta-se então os investimentos previstos (terrenos, equipamento, estoque etc.). O objetivo dessa projeção é definir, a cada ano, o Fluxo de Caixa Livre (FCL).

Para trazer esses valores do FCL ao presente, é preciso definir a taxa de desconto, uma taxa mínima de atratividade que estimule o investidor a alocar seu capital no negócio em questão. Para isso, usa-se o cálculo de Custo Médio Ponderado do Capital (CMPC), repercutindo, assim, como as organizações financiam suas operações por meio de capital próprio e/ou capital de terceiros. Ambas fontes de capital exigem um retorno mínimo para que seu investimento faça sentido, conhecido como custo de oportunidade. O CMPC é determinado considerando as condições de captação de recursos financeiros da empresa, tanto pelos acionistas, quanto o capital de terceiros.

O mesmo processo é feito para o valor residual. Porém, a maneira mais usual de calcular o valor residual é por meio do método da perpetuidade, que mede o valor residual como sendo o valor atual de um fluxo de caixa padrão, que é perpetuado após o último ano de projeção.

Tendo em mãos o Fluxo de Caixa Livre e o Valor Residual, calcula-se o valor da empresa, através de fórmulas matemáticas:

VE = VPFCL + VR
Sendo que:
VE = Valor da Empresa
VPFCL = Valor Presente do Fluxo de Caixa Livre
VR = Valor Residual

Porém, a análise não para por aqui. Com o conhecimento do Valor da Empresa (VE), ainda é preciso calcular o valor do Equity, isto é, o valor final da empresa. Para essa última etapa, calcula-se usando a seguinte fórmula:

Equity Value = VE – Dívida Líquida.
Entende-se por dívida líquida o endividamento total da empresa menos o caixa disponível.

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Este artigo demonstra os cálculos básicos da metodologia, porém, existem diversas outras maneiras e abordagens, é preciso considerar os aspectos intangíveis nas análises. Em artigos futuros, falaremos de outros métodos de valoração de ativos. A Moore Stephens tem vasta experiência em executar o processo de cálculo de Valuation.

Marcus Lindgren

Marcus Lindgren

Managing Partner da Moore Stephens Belo Horizonte
marcus@msbrasil.com.br